"Minha
equipe e eu precisamos de ajuda. Nossas rotinas e processos são
constantemente modificados em face das exigências de mercado e
tecnológicas, obrigando-nos a, permanentemente, reciclar métodos,
incorporar novos conceitos, remodelar tarefas, assumir
responsabilidades e riscos, etc. É desafio atrás de desafio num moto
contínuo em aceleração geométrica."
Percebi que nem mesmo a formulação compartilhada dos objetivos, metas e planos de ação tem conseguido isto. São pontos evidentemente necessários mas ainda insuficientes para darem conta de todo este "enrosco". Então o que me levou a pensar no PEI como possível e inovadora alternativa?
A perspectiva de trabalhar diretamente com o processo de aprender e de raciocinar de cada um, respeitando as dificuldades e o "timing" específicos, a oportunidade de fazê-los incorporar um novo modo de encarar atividades inusitadas, absolutamente diferente de qualquer experiência anterior, aumentando, em primeiro lugar o potencial de abstração (a capacidade de extrair aprendizados de um contexto e transportar para outros), em segundo lugar a competência e a tranqüilidade para enfrentar o novo (alterando o potencial de adaptação ativa, a prontidão para o inédito) e, finalmente proporcionando ampliação do autoconhecimento, da capacidade reflexiva e da consciência do próprio papel, sua importância e influências no sistema. A minha busca era a de aprender "como se aprende e assim habilitar minha equipe e eu como "aprendizes permanentes" um importante e necessário passo para a construção da tão almejada "learning organization".
Em nossa cultura, acostumada a soluções tipo "café instantâneo", um processo longo, isento de conteúdos específicos e que se propõe a trabalhar no processo pessoal de raciocínio, um campo ainda pouco conhecido fora do meio educacional, é uma oportunidade impar de consolidar as crenças sobre o potencial de desenvolvimento humano que o prof. Feuerstein "inocula" em quem toma contato com sua teoria, experiências e metodologia.
Por razões logísticas, algumas limitações nos foram impostas, como por exemplo a carga máxima semanal para o projeto (somente 1 hora por pessoa) e a impossibilidade de aplicar o PEI em grupo, uma vez que estes supervisores trabalham em horários diferentes e é praticamente impossível reuni-los mais do que uma ou duas vezes por mês. Respaldado por consultas feitas a Marcos Bruno e ao "guru" Meir Ben-Hur (um dos principais aplicadores do método nas empresas, trabalhando desde 1977 nos Estados Unidos), iniciamos o trabalho, utilizando a forma abreviada e em sessões individuais. Até o final de dezembro realizamos 30 delas, sendo duas de medição, uma antes da 1ª sessão e outra ao final do semestre. Esta medição teve por objetivo averiguar se o progresso, percebido por mim e pelos participantes (diminuição da impulsividade, aumento da capacidade crítica, da percepção sistêmica, da visão de consequências, do nível de precisão, da maior preocupação com comunicação, do interesse maior em desenvolver empatia e da melhor captação de significados e estruturas implícitas, nos problemas, desafios, processos e relacionamentos) ficava também evidente nos testes de inteligência usuais. Para isto, com o apoio técnico do Instituto Pieron, foram aplicados os testes Ross de processos cognitivos, diagnosticando-se oito funções entre elas, análise de informações relevantes, análise de padrões não evidentes, relações lógicas e abstratas, raciocínio inferencial e dedutivo e capacidade de síntese.
Também foi aplicado o teste Equicultural de Inteligência Geral (Fator G). Para nossa satisfação os resultados confirmaram as impressões e sentimentos e apontaram que, em relação ao primeiro teste, 24% das pessoas foram melhor nos testes de análise, 57% cresceram nos testes de síntese e 44% evoluíram nos testes de raciocínio dedutivo (capacidade de julgamento). Entretanto, o número que mais nos surpreendeu foi o obtido no Equicultural, no qual todos alcançaram melhor resultado em precisão, embora tenham perdido um pouco de velocidade; reflexo da menor impulsividade e da maior preocupação em pensar antes de agir (uma perda previsível e desejável pela metodologia).
Esta experiência tem reforçado a crença de que ganhos em autonomia e desempenho através do aumento da capacitação e dos conhecimentos, são produtos dependentes, entre outras, da autoconfiança e do desejo individual ("sou capaz de aprender, posso e quero melhorar e ampliar minhas contribuições") do significado e da importância que este "aprender" e seus benefícios previsíveis possuem, ("vale a pena e faz sentido para mim, na prática, no dia-a-dia") mas sobretudo de um processo de mediação que, respeitando as individualidades, consiga trabalhar os paradigmas e as crenças pessoais sobre o próprio potencial e limite.
Isto o PEI está nos ensinando ser perfeitamente possível, necessário e aplicável. Sim, é verdade. Inteligência se aprende. Sim, é possível. Aprende-se como melhor se aprende.